Jacarepaguá

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       JACAREPAGUÁ

    A Possui uma área territorial de 7.579,64 ha, sendo o 4° maior bairro em área do município. Em 2004, sua população estimada era 100.000 habitantes.

    No entanto, é um bairro em processo de desmembramento, pois importantes áreas do que sempre se entendeu historicamente como a parte principal de Jacarepaguá, com o tempo foram se desmembrando e tornando-se bairros próprios, como é o caso dos bairros Anil, Curicica, Cidade de Deus, Freguesia (Jacarepaguá), Gardênia Azul, Pechincha, Praça Seca, Tanque e Taquara, que junto com Vila Valqueire e o próprio Jacarepaguá, fazem parte da XVI Região Administrativa (R.A.) - Jacarepaguá - do município do Rio de Janeiro.

    O que restou do antigo bairro de Jacarepaguá hoje são inúmeras localidades com nomenclaturas próprias, em geral loteamentos ainda recentes e que não foram ainda oficializados como bairros pela prefeitura, além da área onde está o Autódromo e o Riocentro.


    História


    Conta o pesquisador e historiador Carlos Araújo em sua obra «Jacarepaguá de antigamente» como esteve o início de Jacarepaguá ligado à família Correia de Sá. O governador Salvador Correia de Sá deu a região como sesmaria em 1594 a seus dois filhos, Martim Correia de Sá, que foi também governador da cidade, e Gonçalo Correia de Sá.

    O filho de Martim, Salvador Correia de Sá e Benevides (1601-1688) foi General e lutou pelos interesses portugueses contra os holandeses em Angola. Ocupou em três períodos o governo do Rio de Janeiro: 1637 a 1642, 1648 a 1649 e 1659 a 1660. Proporcionou grande desenvolvimento em suas terras de Jacarepaguá, ao vender muitas delas e auxiliar os compradores a fundar engenhos.

    O desenvolvimento trouxe a criação, em 6 de março de 1661 pelo governador do Rio de Janeiro, João Correia de Sá, a Freguesia de Nossa Senhora do Loreto e Santo Antônio de Jacarepaguá, que seria a quarta do Rio de Janeiro. A primeira foi a de São Sebastião, instituída a 20 de janeiro de 1569, quatro anos após a fundação da cidade. A segunda em 1634, a da Candelária. E a terceira, em 1644, a de Irajá.

    A sede inicial da Freguesia de Jacarepaguá foi a capela da Fazenda do Capitão Rodrigo da Veiga. A igreja matriz de Nossa Senhora do Loreto foi construída pelo Padre Manoel de Araújo. Na inauguração, houve festa à qual compareceram o governador do Rio de Janeiro D. Pedro de Melo, o prelado da província Manoel de Souza Almada e o Provedor Diogo Correia.

    No final do século XVII, o Juiz de órfãos, Francisco Teles Barreto de Meneses, e sua mulher, D. Inês de Andrade Souto Maior, pentavós do Barão da Taquara, eram proprietários da Taquara. Ele foi contemporâneo do General Salvador Correia de Sá e Benevides.

    No decorrer do século XVIII, a família Teles Barreto de Meneses expandiu muito seus domínios em Jacarepaguá, comprando engenhos até chegarem a ser os maiores donos de terras. A região na época era chamada «lanície dos onze engenhos» pois eram fábricas de produção de açúcar.




    Em documento apresentado ao vice-rei D. José Luís de Castro (1744-1819), conde de Resende, o sargento-mor Sebastião José Guerreiro França narra que, em 1797, a freguesia de Jacarepaguá possuía 253 residências e população de 1.905 habitantes. O comércio era formado por três lojas de fazenda (armarinho), 70 vendas e mercearias, cinco açougues.

    No inicio do século XIX, o café expandiu-se bastante na província do Rio. Em Jacarepaguá, foram criadas muitas fazendas para plantação, além de ser cultivado também nos solos férteis dos antigos engenhos de açúcar. O político brasileiro Francisco Maria Gordilho Veloso de Barbuda - marquês de Jacarepaguá, possuía terras ali. Muito amigo de D. Pedro I (1798-1834), ocupou diversos cargos de confiança no Governo, após a independência. É bem provável que o imperador em suas andanças pela região tenha visitado a fazenda do Marquês. O autor do Hino Nacional, Francisco Manuel da Silva (1795-1865), também tinha grande sítio em Jacarepaguá. O músico teria se inspirado no canto de um pássaro de sua chácara para compor o hino em 1831. Nesta década começaram a ser subdivididas as fazendas de café e a produção continuou nas propriedades menores.

    No recenseamento de 1838, feito a mando do Ministro da Justiça Bernardo Pereira de Vasconcelos (1795-1850), Jacarepaguá totalizava 7.302 habitantes, dos quais 4.491 eram escravos. A freguesia era a de maior população escrava no município da corte.

    A mais famosa família dos tempos colonial e imperial de Jacarepaguá foi a originária do primeiro juiz de órfãos do Rio de Janeiro, Diogo Lobo Teles Barreto de Meneses (1593-1658). O cargo de juiz de órfãos foi transmitido de pai para o primogênito por cinco gerações, como recompensa dos serviços prestados pela família. O filho de Diogo, Francisco Teles Barreto de Meneses (1625-1679), também juiz de órfãos, provedor da Santa Casa da Misericórdia, comprou o Engenho da Taquara em 1658. Luís Teles Barreto de Meneses (1656-1702) foi outro juiz de órfãos, provedor da propriedade. Seu sucessor Antônio Teles Barreto de Meneses (1682-1757) comprou o Engenho Novo, aumentando os bens da família em Jacarepaguá.

    Seu primogênito Francisco Teles Barreto de Meneses (1733-1806), segundo com esse nome e Bisavô do Barão da Taquara assumiu o controle das terras pela morte do pai. Os domínios dos Teles eram imensos. O Dr. Francisco era casado bom Dona Francisca de Oliveira Brito, morta a 6 de dezembro de 1806. Ele morreu dias depois, a 13 de dezembro. Em 20 de abril de 1807, procedeu-se o inventário, ficando como inventariante a filha mais velha Dona Ana Inocência Teles de Meneses, casada com o sargento-mor João Alves Pinto Ribeiro. Os outros filhos do Dr. Francisco eram Luis Teles Barreto de Meneses, casado com Dona Maria Felicidade da Gama Freitas (avós do Barão da Taquara); D. Catarina Josefa de Andrade Teles, casada com Pascoal Cosme dos Reis; D. Maria Rosa Teles de Meneses, D. Mariana da Penha França Teles de Meneses e D. Escolástica Maria de Oliveira Teles. Os filhos dividiram as propriedades. Os dois principais engenhos ficaram sob o controle de duas irmãs e seus maridos: D. Ana Inocência e João Alves com o Engenho da Taquara e D. Catarina Josefa e Pascoal Cosme com o Engenho Novo de Jacarepaguá. Houve acirrada disputa entre os cônjuges das herdeiras para definir marcos das terras. A briga ficou conhecida como "guerra dos concunhados". O conflito só terminou em 1839, mortos os casais.

    Jacarepaguá é um bairro e uma região de classe média da Zona Oeste do Rio de Janeiro, localizado na Baixada de Jacarepaguá, entre o Maciço da Tijuca, a Barra da Tijuca e a serra da Pedra Branca, onde está localizado o Parque Estadual da Pedra Branca. Possui uma área territorial de 7.579,64 ha, sendo o 4° maior bairro em área do município. Em 2004, sua população estimada era 100.000 habitantes. No entanto, é um bairro em processo de desmembramento, pois importantes áreas do que sempre se entendeu historicamente como a parte principal de Jacarepaguá, com o tempo foram se desmembrando e tornando-se bairros próprios, como é o caso dos bairros Anil, Curicica, Cidade de Deus, Freguesia (Jacarepaguá), Gardênia Azul, Pechincha, Praça Seca, Tanque e Taquara, que junto com Vila Valqueire e o próprio Jacarepaguá, fazem parte da XVI Região Administrativa (R.A.) - Jacarepaguá - do município do Rio de Janeiro. O que restou do antigo bairro de Jacarepaguá hoje são inúmeras localidades com nomenclaturas próprias, em geral loteamentos ainda recentes e que não foram ainda oficializados como bairros pela prefeitura, além da área onde está o Autódromo e o Riocentro.  

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